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sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Torcedores: bestas ou bestiais?


Essas últimas semanas tem sido interessantes no ponto de vista relação Torcida vs. Jogador. Primeiro, os torcedores do Corinthians invadiram as dependências do clube e quebraram carros de jogadores e funcionários, após a saída prematura da Libertadores. Torcedores ameaçaram os jogadores. Até que ponto houve negligência da gestão corinthiana ao deixar que vândalos entrassem no clube e quebrassem propriedades de outros?

Assisti ao jogo e digo que podem chamar os jogadores de pernas de pau, mas não podem dizer que eles não correram em campo. O Corinthians é um time grande e que teve bons momentos no futebol recente. Até pouco tempo, os corintianos estavam felizes com Ronaldo, Roberto Carlos e companhia. Apostavam em Jucilei, Bruno César e afins. Agora Bruno César, que jogou muito bem o campeonato brasileiro de 2010, se tornou reserva. Roberto Carlos saiu do clube. Para ganhar mais dinheiro, sim. Mas também não teve nenhum incentivo da torcida para continuar. Ronaldo, por fim, se aposentou, após brilhante serviço prestado ao futebol mundial. Sua última temporada foi ruim, mas sua história é única, resiliente e vencedora. Superou desafios físicos e emocionais e ganhou os títulos mais disputados do mundo e o prêmio de melhor jogador mundial. Mas até alguns meses atrás, a torcida do Corinthians levantava placas e entoava gritos com: "Ronaldo, vamos jogar, o Corinthians não é Spa". Alguns se esquecem do que a pessoa fez no futebol e dos problemas que este jogador enfrentou.

Por fim, neste final de semana teve São Paulo e Lusa. Os torcedores da Portuguesa tentaram agredir o jogador Heverton, que marcou os 2 gols do time que quase tirou a vitória do tricolor paulista. Disseram que o jogador tinha que jogar mais. Fazer 2 gols no São Paulo, com Alex Silva, Miranda e Rhodolfo na zaga não foi suficiente. A bestialidade sempre tomou conta da torcida fanática, mas para tudo há limite. Que os clubes, o Ministério Público e as pessoas sejam mais atuantes para reduzir o impacto de pessoas de má fé no esporte que é a paixão nacional e em nossa sociedade.

Jorge Mendes

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