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sábado, 18 de dezembro de 2010

Até quando, Robinho?


Ele tem marcado gols, vem brindando a torcida com atuações convincentes, forma uma dupla de ataque infernal com Ibrahimovic e em pouco mais de três meses colocou Ronaldinho no banco. Robinho, contratado pelo Milan em agosto, vive um bom início em sua trajetória no clube rubro-negro, que lidera a Serie A italiana e se classificou para a segunda fase da Liga dos Campeões da Europa com uma rodada de antecedência. Mas nem a boa fase é capaz de afastar a desconfiança que paira sobre o jogador, e não é difícil entender o porquê.

Durante seus quase 10 anos de carreira até aqui, Robinho viveu de altos e baixos. Despontou (justamente) como menino prodígio em uma jovem equipe do Santos que, contra todos os prognósticos, venceu o Brasileiro em 2002. Após o bi (ou melhor, segundo a CBF agora será octa) em 2004, decidiu que a Vila Belmiro era muito pequena para ele. Após longa novela, forçou a barra, ignorou o “amor à camisa” e conseguiu liberação para se transferir ao galático Real Madrid em 2005.

Numa equipe recheada de craques, começou no banco e, aos poucos, conquistou seu espaço, dando a impressão de que ratificaria em campos europeus a fama de craque adquirida no Brasil. No entanto, jamais se tornou titular absoluto, e em 2008, encostado no banco de reservas, decidiu que precisava sair de Madrid para se tornar o melhor do mundo. Após mais uma novela, forçou a barra, ignorou o “profissionalismo” e conseguiu transferir-se para o milionário Manchester City.

Em uma equipe carente de talentos individuais, esperava-se que Robinho fosse a estrela maior. Após um início animador, foi perdendo espaço à medida que novos reforços eram contratados. Logo em sua segunda temporada, foi relegado à condição de reserva em diversos jogos, tornou-se apenas mais um jogador do elenco e deixou de ser o grande ídolo da torcida. Decidiu, então, que precisava voltar para casa a fim de garantir sua vaga na Copa da África. Em janeiro de 2010, forçou a barra, ignorou a “ambição de ser o melhor do mundo” e conseguiu ser emprestado ao Santos.

Ídolo da torcida e alçado ao posto de capitão, o ex-menino da Vila juntou-se aos novos meninos da Vila. Apesar das boas atuações e dos títulos paulista e da Copa do Brasil, não fez o que dele se esperava, tornando-se coadjuvante das sensações Ganso e Neymar. Após o fiasco da Copa do Mundo, demonstrou seu desinteresse em voltar a Manchester. Decidiu que precisava voltar a um grande clube europeu. Em agosto de 2010, foi vendido ao Milan por menos da metade do valor pelo qual havia sido comprado junto ao Real Madrid.

Tal desvalorização é o reflexo dos altos e baixos de sua carreira, e da desconfiança que desperta no mundo do futebol. O ex-menino prodígio ainda precisa provar que é craque, e demonstrar que é capaz de jogar bem por temporadas seguidas consistentemente, sem se envolver em polêmicas e mal conduzidas transferências. Enquanto tudo isso não acontecer, a cada boa fase de Robinho, persistirá a dúvida: até quando?


Pedro Henrique de Mendonça

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