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terça-feira, 23 de novembro de 2010

Filme do Senna: impressões


Não sou crítica de cinema nem tenho competência para tal. Se a edição é boa, se o som e fotografia estavam bons, não sei. Mas sei que, como fã, o filme "Senna" é de arrepiar e de chorar. Ou os dois ao mesmo tempo em algumas cenas.

Quem, como eu, começou a acompanhar Fórmula 1 em meados dos anos 80, mesmo criancinha, entende e terá o mesmo sentimento. É de arrepiar vê-lo levar o carro no braço, bem mais fracos que os dos outros, nas ruas estreitas de Mônaco, debaixo de muita chuva, ultrapassar onde ninguém acha possível e chegar em segundo lugar. Só porque encerraram a corrida para o Prost poder vencer.

É como ver um documentário de parte das lembranças da sua infância. Cada imagem, vem aquele sorriso no rosto que diz:"Eu me lembro dessa corrida, dessa ultrapassagem, dessa cena (ainda que seja a dele no Show da Xuxa!). Não é fruto da imaginação". São as lembranças dos sábados de classificação, dos domingos de manhã, das corridas de madrugada.

Como era difícil ficar acordada às três da manhã pra ver as corridas no Japão. Na cena do tricampeonato (narrado em japonês), me lembrei que dormi praticamente todo GP. Vi a largada na casa da minha avó, vi o título garantido, mas não aguentei. No fim, na hora da bandeirada, só me lembro da minha mãe me acordando pra ver o Senna campeão. E o que ficou foi a imagem em que ele deixa o Berger passar e o Galvão Bueno berrando "Eu já sabia, eu já sabia".

Ao mesmo tempo, acaba com a inocência de achar que o esporte só se ganha nas pistas. A parte dos bastidores não ficou nas lembranças. Só mesmo o tema da vitória.
Tatiana Furtado

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Vi o filme ontem e concordo com a Tatiana. Mas uma cena me marcou mais. A vitória do GP do Brasil em 1991. Só com a sexta marcha e castigado fisicamente, Senna se entrega como um herói e consegue levar o carro até o fim, para depois não conseguir mais sair do cockpit.

Mais emocionante que isso, só a vez que as torcidas de Flamengo e Vasco fizeram um só coro ao som de olê, olê, ola, Senna, Senna. O filme deixa claro porque não dá para torcer po Barrichello e Massa. Os dois não têm a ousadia de um campeão.

Para encerrar duas questões. Quem acredita que a Benneton de Michael Schumacher (comandado pelo grande vigarista Flavio Briatore) não estava com o controle de tração (vide as largadas). E não acho que Prost seja o vilão da história. Talvez Senna não fosse tão Senna, se o "Professor" não estivesse ali, assim como o francês poderia não ter tanto valor na Formula 1, se não fosse Ayrton Senna da Silva.

Rodrigo Stafford




Tatiana Furtado

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