Share |

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Um dia de ultra em Florença



Viagem marcada pra fora do país, a primeira preocupação deveria ser pesquisar roteiros pelas cidades escolhidas, lugares legais de se conhecer... Até é. Mas pra quem gosta de futebol, procurar jogos das ligas nacionais vai pro topo da lista. Assistir a uma partida do clube local no seu estádio também faz parte do esforço pra entender a cultura da cidade.

Em agosto, no entanto, não é tão fácil. Os campeonatos europeus geralmente começam na segunda quinzena, muitos times estão em pré-temporada em outros países e jogos de copas ou taças são pouco divulgados. E nem sempre a sorte está do seu lado. As tabelas saem aos poucos e você descobre que não haverá nenhum jogo até o momento que se encaixe no roteiro
programado.



Mas sempre tem um italiano pra salvar. Já aos 45 minutos do s
egundo tempo eis que o amigo encontra a tabela do campeonato e te manda de presente por email. E lá, na primeira rodada, um Fiorentina x Nápoli a dois dias do fim da viagem. O próximo passo é comprar o ingresso. Pelo site, só o pacote pra todo o campeonato até certa data. Pedi informações por email ao hotel. Não responderam até hoje.

O jeito foi tentar a sorte e conseguir comprar lá. Nem precisou de tanta assim. Só eu achava que o estádio iria lotar na estreia da Fiorentina. Já dava pra perceber isso ao perguntar a alguns italianos onde poderia comprar ingresso, receber um olhar de estranhamento e receber informações não muito certeiras. Depois de duas tentativas, um kiosko na Piazza della Republica - meio escondido - vendia. Por 17 euros - ingresso mais barato - tinha em mãos o bilhete com meu nome, meu passaporte, lugar marcado na Curva Ferroviaria e a camisa "viola" comprada.


No dia seguinte, era descobrir como chegar ao Artemio Francchi. A primeira informação era que de trem da estação Santa Maria Novella seriam cinco minutos. Ok, a cidade é pequena, mas achei estranho. Chegando à estação, bilhete comprado por 4,30 euros e depois de cinco minutos estava na passarela em direção ao estádio.

Movimento pequeno, uma das únicas com a camisa da Fiorentina no caminho, imaginava o estádio às moscas. Nada disso. Cada um chega pelo lado que vai entrar e nada de tumulto. Tudo muito simples, trailers vendendo comida e acessórios do time do lado de fora. Fila pra passar na revista, documento conferido e bilhete aceito pela máquina.

Como estava na Curva Ferroviaria entendi a pouca movimentação. A ultra principal, como eles chamam as organizadas, ficava do lado oposto atrás do gol: a curva fisole. Lá sim totalmente lotado. Do meu lado, as famílias e crianças, as batatas e a cerveja! Em Florença, como em qualquer estádio europeu, a venda é permitida.

No simples e bem organizado estádio, a torcida se mostrava fiel e esperançosa com o time, que terminou em 11 º lugar na temporada passada. Na parte da arquibancada destinada à torcida do Napoli, a animação era muito maior. A equipe vem de um sexto lugar e vaga na Liga Europa.


Exceto aos xingamentos recíprocos das torcidas e o "figlio de una putana" ao árbitro, a partida foi sonolenta. Nada muito diferente do que se vê na TV. O bom gramado não chegou a ser castigado, mas também não terá boas lembranças do jogo. Com gol de Cavani, o Napoli saiu na frente aos sete minutos. Mas a bola não cruzou toda a linha. A Fiorentina empatou com D´Agostino no segundo tempo. De resto, bola prensada no meio-campo, passes errados e atacantes deficientes. Gilardino, o Gilagol, ídolo do clube, mostrou porque a seleção italiana não vai bem.

No fim, torcida resignada de volta à casa. Eu, de volta ao centro histórico de Florença - de táxi, pois o último trem sai antes do jogo terminar -, feliz, com a camisa roxa oficial e barata, por ter conseguido assistir a um jogo na viagem.



Tatiana Furtado

0 comentários:

Postar um comentário