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sexta-feira, 9 de abril de 2010

O drama do River Plate


Tatiana Furtado

Campeão mundial, bicampeão da Libertadores, 33 vezes campeão argentino e um dos clubes mais importantes das Américas. Mesmo com todo esse histórico, o River Plate vive um drama nos últimos anos dentro e fora de campo. Mergulhado em dívidas, Daniel Passarela, um dos maiores ídolos da história dos “Milionários”, como o time é conhecido, assumiu a presidência no fim do ano passado. E encontrou um cenário de horror – nada diferente dos clubes brasileiros, só que com cifras um pouco menores – e apenas R$ 36,6 mil nos cofres. O déficit mensal é de R$1,8 milhão e a dívida total chega a R$ 53,2 milhões. Como acontece por aqui, a antiga gestão já havia adiantado os direitos de transmissão e o River recebeu somente R$ 1,7 milhão.


Diante disso tudo, o clube ficou incapacitado de contratar nomes de peso. Passarela seguiu o próprio exemplo e achou que a salvação do River estava em jogadores que fizeram história no clube. Assim, os grandes nomes do time são Ariel Ortega, que enfrenta problemas sérios com o alcoolismo, e Matías Almeyda, ambos de 36 anos, e Marcello Gallardo, de 34.

O resultado do caos financeiro está nas quatro linhas. Fora da Libertadores deste ano, a última conquista foi o Clausura 2008. De lá para cá, amargou a lanterna no Apertura 2008, ficou em oitavo e em 14º nos torneios de 2009, respectivamente, e se encontra apenas na 16ª posição no Clausura 2010. E é por causa deste retrospecto que o clube pode ter um futuro mais tenebroso e se ver rebaixado pela segunda vez em seus 109 anos de existência.



E olha que não é nada fácil um time grande ser rebaixado na Argentina. Ao contrário do Brasil, onde os quatro últimos colocados caem diretamente para a Segunda Divisão, lá há um regulamento complexo que protege os clubes mais importantes. Todo ano, é feita uma média de pontos entre os 20 clubes nas últimas três temporadas. Os dois piores nessa média descem. O 17º e o 18º colocados fazem uma repescagem com os primeiros colocados da “Primera B”. Sem contar que os que sobem, chegam à Primeira zerados na pontuação dos campeonatos anteriores, por isso já começam no fim da tabela. Por causa dos maus resultados, o River está em 12º lugar no chamado “promedio”.

Há seis rodadas do fim, o River não cai mais este ano. Mas a partir de agosto, quando começa o próximo campeonato, o time do técnico Astrada (sabe-se lá se ele continuará no comando com tal campanha) terá de voltar a ser vencedor. No Apertura 2010, a equipe pode começar em 15º no "promedio" e para se reerguer precisará ir além das três vitórias obtidas até o momento.


A vantagem que tinha desde 2007 foi se extinguindo e por mais difícil que seja cair no campeonato argentino, milagres não o salvarão. Para isso, Passarela terá de rever a política dos veteranos e buscar o equilíbrio financeiro.

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