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segunda-feira, 8 de março de 2010

A licença-fossa


Tatiana Furtado


O retorno dos craques brasileiros ao país, sem dúvida, atraiu marketing, patrocínio para os clubes e público aos estádios. Mas por trás da volta de Ronaldo, Adriano, Robinho e Fred ao Brasil há muito mais que a simples vontade de jogar em casa ou em seu clube de coração. O último escândalo envolvendo o atacante do Flamengo, por exemplo, aponta um problema comum vivido por eles na Europa: conviver com o profissionalismo exigido até mesmo a astros pelos europeus. Sem perdoar os excessos dos jogadores, os grandes clubes de lá não têm demonstrado muita paciência com quem prefere as noitadas, se envolve em confusões e retribui pouco em campo. Aqui, não cansam de ser mimados e estão cheios de regalias. Não é à toa que fazem de tudo para voltar.

Ronaldo, fora de forma e com seguidas contusões, perdeu espaço no Milan e só encontrou lugar novamente no Brasil, pelo Corinthians. Onde continua bem longe das condições físicas ideais. Fred, hoje no Flu, amargava a reserva no Lyon, não era muito querido nem pela comissão técnica nem pelos dirigentes. Robinho retornou ao Santos após forçar sua saída do Manchester City, como já havia feito com o Real Madrid, e com o próprio clube paulista. Adriano alegou problemas pessoais, abandonou o Internazionale, disse que ia largar o futebol. Mas voltou atrás logo depois e assinou com o Flamengo, onde parece poder tudo. Não se pode esquecer de Edmundo, um dos precursores ao largar a Fiorentina para não perder o carnaval carioca.

Ninguém acha que jogadores de futebol têm de ser santos, mas um pouco de compromisso com quem paga, e muito, para tê-los em campo seria de bom tom. No caso Adriano, não se discute os problemas pessoais do Imperador. Se ainda tem a questão médica de depressão e bebida, que se afaste e se cuide de fato. Mas a desculpa de precisar de um tempo a cada briga com a namorada por estar abalado...

Talvez seja a hora de criarem a licença-fossa. Até que não seria má ideia...

1 comentários:

Renato disse...

E o rei do descompromisso volta pro Brasil, o time dele ganha de 10 e a opinião pública toda o defende pra ser convocado, ao contrário do que ocorria antes de sua volta.

Pior que isso, só o lobby pra chamarem um (talentosíssimo) jogador de 17 anos que tem feito muitos gols, mas tem comos adversários mais difíceis em sua carreira a Portuguesa e Ponte Preta...

12 de março de 2010 01:03

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