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quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Novela Andrade


Renato Stafford


Muito se comenta na imprensa sobre a renovação do contrato do técnico Andrade com o Flamengo. Fala-se em proposta de R$ 110 mil, contraproposta do técnico de R$ 250 mil, negociações para se chegar a um meio-termo.

Tomando como base os valores apontados na mídia, a primeira constatação é óbvia: há uma inflação absurda nos salários dos técnicos de futebol. Seu início ocorreu com a volta de Vanderlei Luxemburgo ao país, depois de sua passagem pelo Real Madrid, onde treinou jogadores do gabarito de Ronaldo, Zidane, Beckham, entre outros. O Santos aceitou os valores estratosféricos pedidos pelo técnico (na época, falava-se em R$ 600 mil mensais) e a partir daí houve uma avalanche: Dorival Júnior foi contratado para levar o Vasco de volta à Primeira Divisão recebendo R$ 260 mil por mês, Muricy Ramalho, tricampeão brasileiro pelo São Paulo, após perder o emprego, não aceitou menos de R$ 500 mil para comandar o então líder do campeonato Palmeiras. A diretoria palmeirense acatou o pedido, e aposto que se arrependeu, tendo em vista os resultados obtidos pelo clube (não só perdeu o título como perdeu também a vaga para a Libertadores).

Nesse cenário, Andrade, um técnico inexperiente, mas atual campeão brasileiro (título este que o rubro-negro não ganhava há 17 anos) se acha no direito de pleitear um salário de R$ 250 mil mensais. Não há dúvidas quanto à competência do trabalho desenvolvido neste ano. Pegou o time em 8º lugar no campeonato, com um elenco que entrou em conflito direto com o antigo treinador, Cuca, recebeu 2 reforços pontuais (Álvaro e Maldonado), recuperou jogadores como Zé Roberto e o craque Petkovic, e montou um esquema tático eficiente para o Flamengo, inspirado no time que mais deu glórias ao clube, no início da década de 1980. Mas será que vale gastar todo esse dinheiro para contar com esse trabalho? Tenho dúvidas.

Não se pode acreditar friamente em tudo o que sai no noticiário esportivo. Especula-se que Andrade teria dito que não aceitaria menos de R$ 200 mil por mês, logo em seguida é comentado de que fecharia um acordo em R$ 150 mil. Mas se houve um perdedor nessa novela foi o Flamengo. Enquanto essa discussão sem fim entre o vice-presidente de futebol, que apostou em Andrade, efetivou-o como técnico do time, aumentando-lhe o salário em cinco vezes e depois propondo um aumento de 120%, e o técnico que não quer mais ser um eterno coadjuvante, o clube não traz reforços, não se prepara para a próxima temporada, na qual disputará o torneio mais importante do continente, e a diretoria demora até mesmo para renovar salários de jogadores do clube, como o herói do título Ronaldo Angelim e Everton, o polivalente jogador. No entanto, ressalto que a demora da renovação dos atletas é uma crítica à diretoria anterior, e não a essa que acaba de entrar.

Creio que haverá um consenso entre as partes, mas isso deve ser feito o quanto antes, para o bem da preparação do clube para a temporada de 2010. Caso o acordo não ocorra, surgem nomes como as apostas Rogério Lourenço, treinador das categorias de base do clube e também da seleção brasileira vice-campeã mundial sub-20 (e ex-zagueiro do Flamengo, campeão brasileiro em 1992), Adílio, outro ex-atleta, dos mais vitoriosos do clube e com bons trabalhos nas categorias de base, e os já rodados Joel Santana e Celso Roth. O meu favorito é Rogério.

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